A PEC que acaba com a escala 6×1 saiu do papel. No dia 27 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados concluiu a votação e enviou o texto ao Senado, onde os senadores devem aprovar a proposta ainda neste semestre. Além disso, o governo federal trabalha para que a mudança entre em vigor sem regra de transição longa.
O texto aprovado pela Câmara, relatado pelo deputado Léo Prates, proíbe a escala 6×1 e reduz a jornada semanal constitucional de 44 para 40 horas. A proposta prevê 60 dias de adaptação após a promulgação para o fim da escala, e mais 12 meses para a consolidação das 40 horas semanais. Por isso, para o varejo, que depende de operação sete dias por semana, o impacto é direto e imediato.
O que muda na prática
Com menos horas disponíveis por colaborador e a proibição da escala de seis dias seguidos, as redes varejistas precisarão redistribuir turnos e, em muitos casos, ampliar o quadro de pessoal para manter a mesma cobertura operacional.
Estimativas do setor indicam necessidade de expansão de 20% a 30% no número de colaboradores para operações que funcionam todos os dias da semana. Como resultado, mais gente significa mais encargos, mais benefícios e mais complexidade na gestão de escalas, tudo isso sem que a receita cresça na mesma proporção.
Além do custo direto, há o desafio operacional: montar escalas que cubram todos os turnos com equipes maiores e mais distribuídas é um problema de planejamento que, ao fazerem manualmente ou em planilha, gera erros, absenteísmo não previsto e horas extras desnecessárias.
O erro mais comum nessa transição
Aguardar a aprovação final no Senado para começar a agir é o equívoco mais frequente nesse tipo de mudança. Com apenas 60 dias de prazo após a promulgação, as empresas que não se prepararam terão pouco tempo para adaptar processos, contratar e reorganizar escalas.
O primeiro passo, portanto, é ter visibilidade real sobre a operação atual: quantas horas cada função cumpre por turno e por loja, e onde estão os gargalos de cobertura. Sem esses dados, qualquer planejamento vira especulação.
O segundo é simular cenários. Nesse sentido, sistemas de gestão de ponto e jornada permitem cruzar demanda operacional com disponibilidade de equipe e identificar os pontos de ruptura antes que virem problema no dia a dia.
O terceiro é avaliar o que a empresa pode automatizar para compensar a redução de horas disponíveis. Por exemplo, autoatendimento, integração entre PDV e estoque e redução de retrabalho operacional são caminhos concretos. Cada processo que a equipe otimiza representa uma hora a menos que o gestor precisa cobrir com headcount adicional.
O que o Senado ainda pode mudar
O setor empresarial, representado pela CNI, pressiona por uma transição mais longa, de até quatro anos, com redução gradual da jornada. Da mesma forma, senadores também discutem regras diferenciadas por setor, e o comércio deve demandar tratamento específico pela natureza da operação.
Ainda que os senadores alterem o texto, o movimento é irreversível: a redução da jornada e o fim da escala 6×1 vão acontecer. Sendo assim, a questão para o varejista não é se vai mudar, mas em quanto tempo e com qual planejamento.
Tecnologia como resposta estrutural
Mais do que uma questão trabalhista, essa mudança sinaliza que o varejo vai precisar operar com mais eficiência. Redes que já contam com sistemas integrados de gestão conseguem, por isso, responder com mais agilidade, transformando dado operacional em informação gerencial: visibilidade em tempo real sobre ponto, jornada, produtividade por turno e custo de hora extra.
Em conclusão, o varejista que investe nessa estrutura hoje não está apenas se preparando para uma mudança legislativa. Está construindo a base operacional que vai precisar independentemente de qualquer cenário.







